terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sabemos respeitar quem pensa diferente?


Meus queridos, acredito que temos uma tendência natural de julgarmos as situações e as pessoas a partir de nós mesmos, justamente por sermos únicos e, assim, acabamos nos tornando o próprio critério de análise.
Todavia, é um grande problema quando, a partir de nós mesmos, ou seja, a partir da parte, estendemos o julgamento ao todo. É o processo de indução: a partir do particular chega-se ao universal. Porém, é muito complicado e perigoso julgar o todo a partir da parte, isto é, lançar uma afirmação universal  a partir do particular. É querer que absolutamente todas as pessoas se enquadrem no meu padrão específico de pensar. Não precisa ser estudioso da História para saber o quanto de sangue este tipo de pensamento já derramou.

Precisamos ter consciência de que nossa forma de pensar não pode ser soberana! Em termos sociológicos, quando uma cultura quer se sobrepor a outra, considerando-se melhor ou superior, chamamos de etnocentrismo. Em nossa própria História fomos vítimas deste padrão cultural. Os colonizadores ridicularizaram a cultura indígena, tratando-os como animais sem alma. Hitler, por sua vez, assim o fez com judeus, negros, deficientes, homossexuais. Nossos ancestrais assim agiram com os negros, julgando-os inferiores apenas por terem a cor da pele diferente. Quem mora na capital costuma ridicularizar quem mora no interior (“os caipiras”). Enfim, são infindáveis os exemplos!
Contudo, o que mais me espanta é que, provavelmente, todos nós nos enquadramos em algum tipo de discriminação. Mas, nem por isso deixamos de discriminar! Por que reproduzir algo que sabemos que faz mal? Por que reproduzir e propagar algo que sabemos machucar e ofender? Por que o pensamento alheio, quando se manifesta diferente, incomoda tanto? Por que querer ridicularizar ao invés de apenas perceber que a pessoa tem, justamente por estar num lugar diferente do nosso, apenas uma outra visão do mesmo objeto ao qual olhamos?
Veja bem, é maravilhoso termos certeza e convicção do que  queremos e do que nos faz bem! Mas, a partir daí, querer impor uma vontade, um desejo, uma convicção e uma certeza particular ao universal já é um grande problema! Muita gente diz: “Mas eu não estou querendo impor nada. Apenas mostrei como penso”. Contudo, quando a forma como se mostra o que se pensa é ridicularizando ou debochando de quem pensa diferente, então fica evidente que a tentativa é de imposição, pois quero fazer com que o outro sinta-se ridículo e, assim, junte-se a mim e desfrute da tranquilidade do pensamento “correto”.

Temos todo o direito de discordar do pensamento alheio! Assim como temos direito de expor as razões pelas quais pensamos diferente. Mas jamais podemos nos esquecer que é apenas a nossa forma de pensar. Querer a uniformização do universal a partir do particular é tirania e um desrespeito à particularidade e singularidade de cada pessoa. Pense nisso! Forte abraço: André Massolini