segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Condicionar nossa felicidade a alguém


Meus queridos, acredito que seja necessário exemplificarmos bem o que é condicionamento para, então, dirigirmos o raciocínio para o fato de condicionar a própria felicidade a estar com alguém.
Pavlov (fisiologista russo, ganhador do Nobel de Fisiologia) desenvolvia vários experimentos utilizando-se de cachorros. Na década de 1920, estava estudando a produção de saliva em cachorros expostos a diversos estímulos palatares. Então, percebeu que, com o tempo, a salivação passava a ocorrer com situações e estímulos que antes não despertavam nada. Um dos experimentos feito por ele foi assim: tocava uma campainha e, em seguida, dava um pedaço de carne ao cachorro. Obviamente que ao ver o pedaço de carne, o cachorro salivava! E foi fazendo assim durante um tempo, ou seja, primeiro tocava a campainha e, depois, apresentava o pedaço de carne ao cachorro. Após um período, simplesmente ao ouvir a campainha o cachorro salivava, sem ver o pedaço de carne! Isto foi chamado de reflexo condicionado e podemos dizer que o cachorro foi condicionado a salivar ao ouvir a campainha, pois fez a associação da campainha com o pedaço de carne que viria. Contudo, a campainha, antes, não despertava a salivação nele. Anteriormente, com certeza, a campainha representava um incômodo ao cachorro, tendo em vista que cães têm o ouvido super sensível. O que antes era um incômodo e poderia significar desconforto, agora, após o condicionamento, representava prazer (tanto que ele salivava).

Feito, a grosso modo, o esclarecimento sobre condicionamento, falemos sobre o fato de, muitas vezes, condicionarmos nossa felicidade a uma outra pessoa. Precisamos tomar muito cuidado e sabermos analisar criteriosamente e, sem dúvida, fazermos uma autoanálise corajosa para chegarmos à conclusão se estamos ou não condicionando nosso bem estar e felicidade a uma outra pessoa, porque senão, apesar de tudo que ela anda fazendo para nós (atitudes de desrespeito, desconsideração, por exemplo), continuaremos ao lado dela (e passaremos a nos anular), simplesmente porque acreditamos que nunca mais seremos felizes ao lado de ninguém.
Se antes a campainha significava, como dissemos, incômodo ao cachorro, por que, agora, ele não se incomoda mais com seu toque? Porque ele condicionou o toque ao fato de receber o pedaço de carne! Por que você, que antes criticava situações de humilhação e desrespeito, agora aceita e abaixa a cabeça? Será que você não está aceitando estas “campainhas” da humilhação e do desrespeito por que está associando a um pedaço de carne que acredita que virá? Será que você não está esperando por migalhas? Será que não está deixando de ser você e aceitando situações que antes jamais aceitaria porque condicionou sua felicidade a uma pessoa? Será que não desenvolveu a péssima teoria de que nunca mais poderá ser feliz com alguém? Será que não condicionou sua vida a uma outra pessoa, mesmo esta não lhe dando absolutamente nada do que planejou ou queria para sua própria vida? Você vai continuar assim até quando? Será que você mesmo não está decretando seu próprio sofrimento ao fazer este tipo de associação? É a outra pessoa que está lhe iludindo ou é você que está criando uma ilusão e, sendo assim, tornando-se prisioneira de um pedaço de carne que vem de vez em quando (migalhas), mesmo tendo que suportar as situações incômodas da campainha? Você tem que passar por isso? Será que a carne não pode vir sem o toque da campainha? Será que você não pode ser feliz sem ter que aceitar situações de humilhação? Será que você não pode ser feliz sem ter que se anular? Aliás, onde existe anulação pode haver felicidade real?
Acredito que dentre muitos artigos que já escrevi em minha vida, talvez este seja o primeiro em que faço este tipo de dinâmica, ou seja, várias perguntas ao invés de fazer o desenvolvimento do tema. Contudo, acredito que esta didática possa fazer com que muita gente consiga adequar mais facilmente cada resposta dada à própria situação e ao contexto vivido e, com isso, tomar um posicionamento e uma atitude diante da própria vida. Pense nisso! Forte abraço: André Massolini